Ser Psi: Cuidar de si para cuidar do outro

Ser Psi: Cuidar de si para cuidar do outro

A força que a falta tem

Cena:

Um pequeno grupo de pessoas que exercem a função de cuidadoras, num círculo fechado e muito forte. Na medida em que essa ciranda gira, saem dela frase como: “eu tenho que dar conta”, “estou cansada mas tenho que dar conta”, “eles precisam de mim”, “Deus não descansa”, “eu não posso falhar”, “tenho que estudar mais”… Entra em cena, silenciosamente, a figura da falta, e sua presença assusta as pessoas num primeiro momento, mas lentamente algumas se aproximam dela e aquele círculo aparentemente forte começa a se desfazer. Cada uma, ao chegar perto dessa personagem, pergunta a ela (e a si mesma): “Falta, quem é você?”. E a falta de cada uma responde: “Eu sou o medo de dar tudo errado”; “eu sou a inexperiência”; “eu sou a insegurança”; “eu sou aquilo que você não quer ver”…

Essa cena foi construída e dramatizada na vivência “Ser psi: cuidar de si para cuidar do outro”, conduzida por mim e pela Anna Cláudia Eutrópio por ocasião do dia da/o psicóloga/o em 2019. Ela nos leva à reflexão da potência que a falta tem na nossa vida. Essa falta com a qual evitamos entrar em contato a todo custo, numa cultura que valoriza a imagem da felicidade completa, da performance, da superação de limites, da plenitude…

A ideia de plena experiência, de viver sem dúvidas ou dificuldades, de ter que ser infalível para ser capaz de cuidar de alguém é uma fantasia onipotente que não se sustenta na realidade.  A falta faz parte da condição humana. E um ser humano que cuida de outros seres precisa, sim, estar forte; mas forte também para reconhecer as próprias necessidades e, a partir daí, atendê-las. Longe de ser uma fraqueza, essa é uma força que inclui a fragilidade.

Compartilhando depois da cena dramatizada na vivência, as participantes relataram uma intensa sensação de relaxamento corporal quando a falta se fez presente. Um poder descansar e, ao mesmo tempo, viver mais plenamente. Olhar para as próprias faltas não é algo que enfraquece, pelo contrário. Ao final, estávamos todas revigoradas.

E é assim. Mesmo quando se alcança um lugar de segurança e experiência na vida, a inexperiência sempre surge, porque a vida felizmente nos apresenta situações e desafios novos. E aí aparece o “não sei”, a falta, às vezes o vazio. E tudo bem. É isso que nos impulsiona a buscar experiências novas, que alimenta a nossa criatividade, que de alguma forma nos faz reinventar a vida. O vazio pode ser um lugar difícil, mas é também um lugar fértil.

Para inspirar mais sobre esse tema:

A falta que a falta faz: Nesse vídeo, a Jout Jout faz uma leitura comovente do livro “A parte que falta”, de Shel Silverstein (publicado pela Companhia das letrinhas):

O poder da vulnerabilidade: Palestra da Brené Brown. Brené tem ótimos livros publicados e um especial na Netflix que eu gosto muito e recomendo, mas essa palestra é tocante. De tempos em tempos eu a assisto para me inspirar (Obs.: ative a legenda):

FACILITADORAS

Juliana dos Santos Soares

Juliana dos Santos Soares

Psicóloga

CRP: 04/21.049
Psicóloga clínica pela UFMG, atende Psicoterapia de adultos, Terapia de casais e Psicoterapia de grupo. Pós-graduada em Psicodrama; professora da Pós-graduação em psicodrama do IMPSI – Instituto Mineiro de Psicodrama Jacob Levy Moreno; tem formação em Gestalt-terapia e treinamento em Constelações familiares segundo Bert Hellinger.

Anna Cláudia Eutrópio

Anna Cláudia Eutrópio

Psicóloga

CRP: 04/20.233
Psicóloga, Doutora em Educação pela UFMG, Pós-graduada em Psicodrama; professora da Pós-graduação em psicodrama do IMPSI – Instituto Mineiro de Psicodrama Jacob Levy Moreno. Coordenadora do “Nós e voz” que é uma iniciativa em educação em sexualidade. É mãe de duas crianças lindas

Sou psicóloga em Belo Horizonte – MG. Atendo Psicoterapia individual, de grupo e terapia de casais. Em minha busca por ser uma pessoa melhor, já fiz diversas terapias e percorri um bom caminho de autoconhecimento. Hoje vivo "a sorte de um amor tranquilo". Apaixonada por música, livros e boas conversas.