Um encontro com a nossa criança interna

(última edição)

Qual era seu apelido de infância? Do que mais gostava de brincar? De que músicas mais gostava? Qual era sua história infantil preferida? E seu sonho de infância? Seu melhor amigo? Que fato mais marcou essa fase da sua vida? Assim começou o aquecimento para o Workshop terapêutico Um encontro com a nossa criança interna, realizado em setembro de 2011 por mim, Juliana Soares, e a querida Ana Luiza Junqueira*. Escrevemos aqui, juntas, para compartilhar nossas impressões sobre esse trabalho que nos deu muita satisfação.

Foi um encontro muito simples – como as crianças são –, adornado com canções, brincadeiras e lanches que planejamos para facilitar o acesso a essa criança interna. Do encontro entre a criança que cada um foi e o adulto que se tornou surgiram imagens fortes e significativas:

– o adulto que manda a criança se calar;

– a criança que se frustra ao ver que o adulto que se tornou não é completamente diferente, nem resolveu todos os seus dilemas infantis; e que ainda assim, depois de conversarem, o aceita e ama;

– a criança que vê que, mesmo com seus sofrimentos e justamente por causa deles cresceu forte e se tornou um belo adulto; gosta muito desse adulto que vê e que lhe olha com carinho e acolhimento.

Encontrar a criança interna é um desejo que leva as pessoas até o Workshop, mas que também desperta resistências, principalmente se envolve exposição na frente de outras pessoas. Por isso utilizamos o recurso de trabalhar com personagens criados por elas para lhes representarem. Através do Teatro de Criação puderam interagir de forma espontânea, revelando de forma bem protegida questões que envolviam os adultos/crianças ali presentes. Emergiram vários personagens, a maioria  de super-heróis  ou  personagens importantes como uma grande governante ou uma princesa.

Cada criança ali presente pôde oferecer ajuda a um pedido feito pelos adultos – as soluções das crianças muitas vezes são mais objetivas e eficazes do que as dos adultos, que envolvem uma série de racionalizações e, consequentemente, de complicações. Surgiram soluções inusitadas, como: Quer tirar um pouco mais os pés do chão? Então vire cambalhotas! Quer aprender a pedir ajuda? Experimente chegar perto das pessoas e lhes dar a mão – a pessoa que segurar firme na sua mão com certeza é alguém com quem você pode contar. Quer  consolidar a sua força?  Chute e soque algumas almofadas e se quiser pode fazer uma “guerrinha” com elas. Quer ser mais independente? Aprenda a brincar sozinho, pode ser também muito divertido! Soluções que revelam a simplicidade e espontaneidade da criança e com as quais nós, adultos, podemos aprender muito.

Essa foi a proposta desse Workshop terapêutico: um trabalho simples, sem nenhuma solução mágica para os “traumas infantis” ou questões existenciais, sem nenhum discurso salvador das terapeutas – aqui também pudemos refletir um pouco mais sobre o significado de ajudar, que é bem diferente de salvar. Nosso trabalho foi apenas – e isso não é pouco – facilitar o Encontro com a espontaneidade infantil para que, a partir daí, cada um pudesse se encontrar na sua caminhada. Esperamos ter servido!

*Ana Luiza Junqueira é Psicóloga, pós-graduada em Psicodrama e com formação em Terapia Sistêmica Fenomenológica – Constelações Familiares.

“Encontrar a minha criança interna foi um trabalho renovador: primeiro a criança ferida, que desatou em um choro infantil, contido há muito tempo, devido à minha doença (aos 7 anos), mas que com o exercício de retorno às lembranças anteriores a esse fato – ‘o primeiro brinquedo na casa da minha avó’ – me fizeram lembrar uma menina pura e simples, feliz e que não sabia o que tinha para viver. Essa adulta que sou hoje ao encontrar com a pequena criança sentiu muita tranquilidade e acolhimento… Na parte da tarde, o que mais apareceu foi essa criança livre e espontânea, porém marcada por uma sequela e vivências diversas, mas que por isso, não deixa de ter vontade de viver…Muito positivo o workshop”.

Fernanda, uma das participantes

PARTICIPE

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